carta: eu gostei de você de verdade, sabia?
- Gabriel
- 15 de mar. de 2024
- 6 min de leitura
Atualizado: 19 de mar. de 2024

música: all too well - taylor's version (10 minute version)
eu gostei de verdade de te observar cozinhar pra mim de madrugada naquele janeiro. pintando sonhos inimagináveis e fazendo planos como se a vida fosse simples. escrevendo um roteiro, algo parecido com um filme que a gente mesmo dirigiu. algo do tipo "um mais um" e transformando o amor em uma simples comédia romântica. de volta pra casa num domingo, sabendo da sensação de dormir ao lado de quem se ama. descomplicado. colocando vinho no risoto e ouvindo música pelo celular. um mundo novo de ponta cabeça enquanto você se virava e dava um sorriso pra mim. sem camiseta, com o pano de prato no ombro e a meia-luz da cozinha. cenas de um capítulo divertido. escrito nas estrelas um amor que poderia ter sido. e até que foi, né? é uma pena, mas parece que nos perdemos por aí. raridade num mundo monótono. e dói um pouco falar sobre isso tudo no passado porque foi uma obra-prima do amor ter te encontrado. tive uma sorte imensa de dormir ao teu lado e acordar observando cada detalhe do teu corpo. você segurou a minha mão enquanto dormia na nossa última manhã juntos, lembra?
entre cupcackes e café da manhã na cama. ouvindo o lover e o midnights. decorando cada uma do 'super'. acho que não fui mais o mesmo depois daquele fim de ano. nem depois de esperar a chuva parar com você debaixo de uma viga no bairro. me sinto orgulhoso de ter feito exatamente como pude fazer. me entregado ao máximo e sendo o que gabriel intenso que eu sou. não me arrependo. cada batida do meu coração representava algum dano que, lá no fundo, eu sabia que cê iria me causar. e por falar em fundo, você sabe que eu tentei de tudo, né? desobedeci regras e expus minhas vulnerabilidades. fui de verdade. me abri sobre meus outros relacionamentos como se eu fosse um livro novo. do zero. prestes a ser escrito de novo. juro que tentei te dar ainda mais coragem pra arriscar. quando me disse que não ia deixar isso se perder pelo medo, eu acreditei em você. pensei que nada pudesse nos atrapalhar. te mantive aqui dentro de mim por um bom tempo e fui te amando disfarçadamente, até que eu quis que o mundo todo soubesse. não é culpa nossa, talvez seja dessa maldita distância que nos encontrou.
espero que um dia você possa me entender. é que te falei tanta coisa que acabei ferindo a mim mesmo. às vezes choro pelo canto de casa cheio de saudade. sem saber muito bem desvendar os segredos que cada sentimento me trazia. quem de fato eu sou e o que de fato eu quero? dá uma vontade de saber como cê tá. te perguntar sobre a tua família e se ainda corre todo fim do dia. isso não significa que eu queira essa sensação de volta e cê sabe bem do que eu tô falando. eu não podia ser cruel comigo mesmo de novo e me manter nessa relação. e nem você. a dor já fazia parte disso tudo. quis te agarrar com toda a força pra não te deixar ir embora e mesmo assim não foi suficiente. será que eu fiz errado em te deixar partir? eu tinha que ter te agarrado com mais força? o seu cheiro segue aqui. será que um dia vamos voltar no meu restaurante francês favorito e lembrar de como foi bom? está previsto que você ainda será o cara que vai me levar pra conhecer um monte de lugar bonito?
eu não posso fingir que não tá doendo, porque está. eu não posso fingir que, de alguma forma, eu não estou fragilizado, porque estou. ontem na cama eu dei um sorrisinho lembrando de tudo. mas dá uma agonia imensa junto à vontade de saber se você ainda pensa em mim. se também sente falta de me perguntar se já comi. e de me ligar de surpresa antes de dormir. de me contar sobre o seu dia. dar um sorriso bobo no meio da chamada. se você soubesse o tanto que eu gostei de você. do começo ao fim. mas, sabia que eu tenho uma sensação que vivemos o que era pra viver? e ao mesmo tempo queria estar ao seu lado na páscoa. prestes aos meus 29, falando sobre coisas de trabalho. te pedindo dicas de notebook e procurando filmes pra ver na tv. na comemoração de quando cê passasse no concurso. será que podemos conversar um dia de novo? eu não queria que as coisas tivessem terminado assim. sinto muito.
mãos suadas no allianz. fazia tempo que eu não era tão feliz como naquele 21 de janeiro. significou assim pra ti também? andando pelas ruas imaginando como seria se você morasse próximo. uma noite bem dormida sem todos aqueles sonhos ruins. num estágio de paralisia que me fez entender de como valia a pena lutar. e ao mesmo tempo baixar a guarda. até que tivemos que desistir. não por mal, mas por desapego. para evitar sofrimento. conto de fadas num novo cotidiano. às vezes era só a minha criança pedindo pra ser amada. imaginando como tudo isso é só mais um acaso que a vida me trouxe. sentados juntos tomando original. novembro e todas as luzes de natal penduradas nos prédios. você também estava lá? conversei comigo nos meus próprios pesadelos. reencontrei vontade de tentar de novo. voltando do início, lá onde não existe sofrimento. céu azul e sua mão na minha. você me deu coragem.
como se eu fosse um novo eu. e como se você pudesse amar mais uma vez sem desistir. me chamando de amor e me convidando pro banho quente depois de enrolar por um bom tempo na cama. língua na língua: eu conheço bem esse caminho. caminhando pelo minhocão. desfrutando padarias novas e conhecendo pessoas em lugares duvidosos. me acordando com um beijo junto a um olhar devagar que me enxergava de verdade. dois seres resumidos em uma ligação desprevenida num sábado à tarde. chuva que molhava a janela, tipo um choro sensível. lembrança boa de te ver tomando banho pelo facetime. te imaginando num natal com toda a minha família. e por falar em natal, lembro de quando me mandou a passagem comprada de presente. imagina só meu pai rindo de cada conto teu e minha mãe se preocupando com seu bem-estar?
tenho um pouco de esperança de que cê vai ler esse texto algum dia e entender que isso tudo é o que eu queria ter te dito. erramos, mas, independente de tudo, fomos nós. vivemos. sou incapaz de te machucar e não queria ser magoado. eu tenho tanto medo e descontei tanta bobagem em ti. e você vai ser sempre um cara que deixou um rastro gigante aqui dentro. não quero me ferir. saiba: eu gostei de você de verdade. e meu coração sangra quando lembro de você e de todos os planos que não foram pra frente. me desculpa, mesmo. você teve razão quando disse que eu já não te causava bem. me quebrou de certa forma saber que eu te despertava algum tipo de sentimento ruim. aquela imagem de você abrindo a porta de casa pra mim não sai da minha cabeça. me abraçando e segurando minha cintura. estou pronto para voar. acho mesmo que pedir perdão não significa nada.
não me venha com essa de reajustar sentimentos, pois nós dois sabemos que não daria certo. você tem o sorriso mais bonito que eu conheci e é o cara mais inteligente que eu já cruzei o caminho. queria que você entendesse como é amado e de como as pessoas gostam de ti. seu corpo é lindo. você é extremamente você. e naquela mensagem, sei que fiquei estendendo, falando um monte de besteira que eu nem mesmo sabia o significado. eu tenho muito trauma e cheguei a te falar isso da última vez. isso não justifica nada, eu sei. é que com você eu pude ser tão real. tão eu.
foram meses te esperando agir de uma forma que eu queria que você agisse. e creio que esse tenha sido o ponto final. uma história que não teve continuação e deixou os fãs arrasados. e esse ponto final já havia sido colocado na minha cabeça há um tempo. torço pra que a gente possa se encontrar por aí com o coração curado. como amigos. mais maduros. mais prontos. porque, afinal, isso também já está passando. no sudeste ou no nordeste, meu peito ainda vai bater igual, assim como o teu.
foto: all too well - short film.



















