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estrada

  • Gabriel
  • 20 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de out. de 2025




música: robin - taylor swift


tragédia ambulante, por que comecei tarde demais? nunca me dei tanto valor como deveria. tive que abraçar a dor pra me reconhecer. o mundo todo se lembra daquela crise de pânico que eu tive em março do último ano? subindo cada vez mais alto, até derrapar e cair. toda a água da banheira me engoliu em junho. como assim passei a vida toda tentando provar o meu valor? já me machuquei demais e fui o principal suspeito. de mãos amarradas, olhando pro céu do condomínio. na beira das escadas daquelas construções empoeiradas, eu fui o rei, mas nunca soube. vivendo onde eu sempre quis, eu sou só mais um no meio de tantos, mas tenho tanta sorte. tenho tanta força. tenho tanta história.


aprendi a me recuperar sozinho e ir em direção à luz. me jogaram no lixo e me atropelaram com palavras cruéis. naquela cadeira bege, me enxergando no fim. me escondendo do bullying, eu conversei comigo mesmo em alguns banheiros de festas ruins. já quis fazer tatuagens, mas nunca fui pra frente. tenho medo de avião, mas as coisas podem ser diferentes. já me vi como um ridículo, me queimando. para as pessoas, reclamando do peso que carrego em mim. fui doce, mas me vi na amargura. por que dei tanta atenção às lágrimas que nunca fui eu quem derramou?


já menti tantas vezes que me peguei sendo a vítima. posso até ter fingido o choro vez ou outra, mas quando desabei eu realmente vi o fim do mundo. me torturando dentro do quarto, lá no fundo do pensamento. em 2011 e em 2023. festas infantis e chocolates na páscoa. longe de qualquer maldade do mundo, abraçava meus pais. fui bom o suficiente em toda a minha vida pra ser mandado direto ao inferno?


alguém um dia vai contar a minha história? nós manteremos nossa fé até os 40? ou vou parar de acreditar e escrever? eu não quero que ninguém chore por mim, porque o tempo nunca disse coisas bonitas pra mim. até me encarar como alguém ridículo, rumores pelos corredores e bosque do colégio. algumas cartas tentando convencer. inocente e incoerente. bicicletas nas noites quentes de julho. cada vez mais alto. cada vez mais pra cima.


na lente daquelas câmeras antigas, me reconheci. ignorei os ignorantes, fiz minha própria festa. criei meu próprio destino. acreditei depois de muito tempo. nunca mais me odiei. nunca mais fui cruel comigo. até chorei pensando sobre isso numa sessão. me curando, sem a droga de tanta maldição. deixei o que teve que ser deixado. eu posso me trair alguma vez. de novo e de novo. mas não será agora. mas não será no momento mais bonito que eu encontrei. não sou mais criança e desenhei uma estrada repleta de coisas boas. é bom aproveitar a vida.


foto: eu.





 
 
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