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testemunho 💔

  • Foto do escritor: Gabriel
    Gabriel
  • 3 de jul.
  • 3 min de leitura





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música: less - olivia rodrigo


nós podemos transformar essa história em um livro bonito ou em um filme triste na televisão. isso porque ainda dói recordar das suas lágrimas naquele dia na lavanderia. era um domingo e eu fui te procurar no frio de maio. a festa tinha acabado e meu coração estava em pedaços. você soltou um “eu te amo” tão abafado enquanto desembrulhava a minha alma e eu senti que ainda poderia dar certo. não podia acreditar que o destino seria tão cruel a ponto de te deixar escapar sem que eu esgotasse todas as minhas fichas.


nós nos deitamos na cama e já passava da meia noite. não precisei implorar pra decifrar o que eu sentia. você passou minha franja para trás e, mais uma vez, pediu que eu ficasse, mas eu já estava. disse algumas palavras misturadas e recitou uma poesia linda para os meus ouvidos: que saudade eu estava de ver sua testinha e sentir o cheiro do teu cabelo enquanto você se perde nos meus braços. é, algumas noites são apenas memórias de uma obra inacabada.


foi um soco brutal te ver ir embora pela primeira vez de verdade depois de milhares de despedidas ensaiadas. quantas vezes ouvi seus passos pelo corredor, jurando para mim mesmo que nunca mais abriria a porta para você? ainda machuca lembrar de quando você me disse que me amar era como observar uma fotografia. você me encorajou tanto e eu não desisti nem por um segundo. por mim e por você, bebezo. nem naquela ligação, com a voz embargada pelo choro, quando me desejou o melhor. quando desejou que eu ficasse bem. que eu seguisse em frente. e, mesmo assim, uma parte de mim continuou contigo.


no seu aniversário eu já sabia que não terminaríamos juntos. carregamos tanta dor para aquele jantar. criamos histórias, lembranças e comparações silenciosas com o que fomos um ano antes. sorrisos bobos e buquê de rosas. às vezes eu sinto seu perfume no meio da rua e lembro da sua mochila preta no sofá da sala. ao lado, seu fone de ouvido. lembro de você, concentrado, preparando aquele risoto enquanto eu me programava para te acordar mais cedo no outro dia só pra tomar café.


você nunca mais vem buscar seu relógio preto? ele continua embaixo da televisão, como uma esperança teimosa mesmo sabendo que somos uma bagunça que talvez não tenha conserto. talvez eu me agarre à possibilidade porque ainda consigo imaginar você de novo na minha cama, me abraçando e colocando todos os filmes da anne hathaway para maratonar, como foi no primeiro encontro e também no último. coincidência, né?


eu sei que preciso te ver partir. já senti isso tantas vezes que talvez essa seja a única maneira de deixar a nossa história terminar. ainda existe uma parte de mim parada naquela porta, ouvindo seus passos pelo corredor e torcendo para que você volte mais uma vez.


quem sabe um dia tudo isso encontre alguma resposta. eu não sei. só sei que todas as noites peço para que as lágrimas nunca mais encontrem o meu travesseiro. há um caminho inteiro esperando por mim e eu não posso me perder nas cinzas do que fomos. não posso me incendiar. não posso morrer de amor.


as faltas vão doendo menos, é o que você diria.

 
 
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