carta I: a bonita transformação de (se) amar
- gabrielmqmq
- 15 de mai. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de mai. de 2024

música: teenage dream - olivia rodrigo
nada do que você tenha me falado me machucou. nós dois nunca mais tivemos força pra isso. alguns me disseram que eu era engraçado e outros nem me deram tanta bola assim. eu sangrei por algumas esquinas, mas me tornei quem sou hoje. é como olhar pra frente, mas não esquecer do que ficou pra trás. eu carrego tanto sentimento em mim. são emoções dentro de um saco plástico: uma hora eles vão desmoronar. é bom correr por aí e me encontrar em alguns bares. eu estou dando o máximo e, lá no fundo, no fundo mesmo, eu sei disso. me culpar das pessoas que machuquei não vai adiantar de nada. eu sou assim na minha mais pura forma. espelho espelho meu, existe alguém mais sentimental do que eu?
e por falar em tanto sentimento, sabe quando eu te mandei aquela cartinha escrita no caderno azul? tudo o que te disse era verdade. eu te amei por pouco tempo, mas as coisas ficaram gravadas. eu deixei você me tratar como quis, né? busquei apoio em algumas pessoas. festejando em todos os momentos mais delicados pra fingir que não existia dor. mas dor faz parte. e ela é tão bonita, entende? deixei de me preocupar agora. ser alguém que escreve já não é tão mais fácil. você chegou a conhecer os meus pais e alguns nem perto disso chegaram. eu sou tão bonito, mas às vezes tenho vontade de me esganar. é tipo quando não acredito no meu próprio potencial. me recarrego em cada bairro poluído quando eu sei que tenho a mim mesmo. um anti-herói dessa vida tão confusa. correndo sem sapatos pelo apartamento e me perfurando a cada erro cometido. eu já não sou mais o mesmo poeta. ele já morreu e, daqui um tempo, eu vou matar essa versão também.
reconstruir-se. lembra quando eu disse isso pra você também? por qual motivo eu esperarei você acelerar aquele carro velho e me beijar em frente ao mackenzie de novo? roendo unhas e aumentando o som pra abafar um choro. fugir é bom em ocasiões assim. dar uma de louco e meter o pé. na chuva daquele muro de concreto e você me pegando pelo pescoço. cada história de amor ficou gravada dentro de mim. mas é tão bom sair por aí e conhecer o mar sozinho. tirar os espinhos sem ajuda. a gente sempre se encontra, uma hora ou outra. mas depois a chuva vem de novo e as coisas saem do controle. ninguém mais tem o controle. nós dois não tivemos. e meu último namorado costumava me dizer que eu era louco e que nunca encontraria alguém melhor que ele. talvez ele tenha razão, eu posso nem encontrar. mas acho que ser alguém quebrado me fez ser alguém que junta os pedaços e, finalmente, aprendeu a como sair sã e salvo.
a batalha é todo dia e eu gosto de ser imperfeito.
foto: pinterest.



















