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carta para gabriel

  • gabrielmqmq
  • 6 de fev. de 2024
  • 2 min de leitura




Música: Monstros - Jão


desde criança eu sempre gostei da cidade grande. e aí, quando eu e minha família íamos para o hopi-hari, passávamos por são paulo e eu ficava encantando com aquele monte de carro. de gente. de prédio. mas acho que eu não entendia muito sobre.


a faculdade foi só a porta de entrada. literalmente. viver na cidade grande, longe da família, é sempre desafiador. muita coisa acontece em pouco tempo. e às vezes você se sente tão frágil. tornar-se adulto machuca. te faz pensar tanto. tem vez que me pego pensando em mim mesmo, só que numa versão mais nova. mais limpa. mais pura. dá vontade de abraçar esse pequeno, sabe?


não tem nada de errado comigo. aliás, tudo nunca foi tão certo. o corredor da escola um dia já foi como um pesadelo. sempre em busca de risada sincera e de um ombro amigo verdadeiro. só queria ser orgulho. em algum momento da vida, ser considerado como um filho ideal. sem erros. dava pra eu ter chorado menos? acreditado mais?


só queria ser livre. viver sem as amarras da vida e longe de qualquer rótulo imposto. o amor nem sempre vai doer, sabia? e hoje? será que eu quero demais? será que eu sinto demais? eu gosto de ficar sozinho. gosto do meu apartamento. gosto de fazer tudo no meu tempo. eu ainda sou jovem ou já posso me considerar velho demais pra arriscar? tenho tanto em minha volta que as possibilidades gritam. não posso ter medo de errar. de derrapar. por favor, que eu tenha sabedoria. isso é o mais importante pra mim agora. quero poder escolher direito. olhar pra trás e ver que escolhi o que me deixa vivo.


eu não sou insuficiente e sou bom no que faço. que meu passado não me derrube. só quero confiar em mim. sempre. foram anos de luta e eles ainda existem: os medos estão jogados por aí. minha vida não é desconexa e não saiu do eixo. só me permito viver assim. razão ou coração?


acredite: seus sonhos vão se realizar. pouco a pouco. sei que cê tá com medo agora. tem muita gente te apontando o dedo e a sua voz é trêmula. não precisa se sentir sozinho. segue em frente e se arrisca. é tão bom ser você! e hoje eu entendo.



foto: eu.


 
 
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