madrugada: palavras e tanto sentimento.
- gabrielmqmq
- 15 de mai. de 2024
- 3 min de leitura

música: my way - frank sinatra
um vinho branco apoiado na mesa da mesma cor, revisitando alguns sonhos que já foram desfeitos por atitudes que eu mesmo tomei. eu acho que sempre quis mais do que eu pude. naquela noite de abril, num apartamento no itaim bibi, com vista pra todos aqueles prédios, todas as coisas entaladas foram ditas. e que comece a noite mais dolorida desse filme, regada a arrependimento e saudade. mencionei amigos que já se foram. percebi que tenho sentimentos por quem já partiu há um tempo. como se eu não tivesse como me segurar, deixei meus sentimentos falarem por mim. a luz da televisão fazia parte do cenário, além da escuridão. não sou tão puro como imaginei que fosse. naquela sala limpa, com frank sinatra ao fundo, as palavras finalmente saíram enquanto uma valsa subjetiva decorava o ambiente. aqui, peço desculpas a quem eu machuquei. um irmão e uma facada. mas tudo não passa de uma despedida. será que acabou uma fase da minha vida? eu usei as melhores palavras pra dizer? eu, você, nós conseguimos voltar no tempo? existe a possibilidade de fazer diferente? voltar alguns anos e dançar alguma outra música nesse mesmo cômodo? o que nos restou agora são as lembranças daqueles que tanto amamos em uma fotografia em polaroid. você esteve ao meu lado e eu estive ao teu. nós dois na minha carteira,.
estamos todos dando o máximo? a vida foi desenhada lá atrás. o que me machucou é válido e eu não posso fingir que não dói. que não sangra. o sol vem logo menos e tem tanto aqui. tanto de coisas que eu não fiz. o tempo parece que não é meu amigo. era o momento ideal. uma noite com chuviscos. ideal para dizer o tanto que eu amo aquele cara. enquanto isso, ao mesmo tempo em que tudo desalinhava: vale a pena lutar por um amigo? e ter feito diferente daquela vez. quando saí por aquela porta, em outubro, eu deveria ter te agarrado. ter feito você ir comigo. e na madrugada, em que falamos sobre tudo, foram palavras de despedida. um ciclo que se foi. minha amiga me disse tanta coisa delicada. como pode tanta dor em um espaço pequeno? eu te amei. eu deixei pessoas irem. eu fiquei. no metrô, rostos disfarçados.
as ruas e as pessoas daquele bairro, tudo isso agora vai se tornar uma vaga lembrança. a vida nunca foi tão complicada. quando foi que tornar-se adulto ficou tão doloroso? ninguém me contou. não tem um porquê disso ter acontecido, mas aconteceu. sabe quando você sente que já tentou de tudo? as pessoas me admiram? essa é a minha melhor versão. dia desses falei sobre isso com a minha mãe, me referindo à cena de lady bird em que a protagonista diz 'e se essa for a minha melhor versão'? alguém que precisa ser amado. vou assumir e engolir as consequências que o mundo me enfiou goela a baixo. uma música e um ombro amigo. foi isso o que aconteceu na noite do mês quatro. sinfonias e um jazz melancólico enquanto chorava vendo uma foto sua. eu mesmo me arruinei. um pedaço de mim já foi embora. outro quer ficar. me sinto mais novo do que eu sou. enchendo a cara com vontade de desabar. no fim, é sobre a dor que a gente tem que aguentar. suportar. despedidas doem, desde que eu me conheço como pessoa. ir embora e deixar alguém ir também. atos: eles tem consequências, sabia?
foto: pinterest.



















